Consciência Cultural Designer Gráfico

A definição para produzir design gráfico significativo expressivo: “deixas e trocadilhos e símbolos e alusões, de referências culturais e inferências perceptuais” são os elementos que conferem ao trabalho autoridade e ressonância. E, se você quiser introduzir esses elementos em seu trabalho, isso significa interessar-se por tudo que acontece em torno de você e ter curiosidade em outros áreas além do design gráfico: política, entretenimento, negócios, tecnologia, arte, boliche e luta livre na alma.

Essa consciência cultural (você pode chamá-la pesquisa, se quiser, mais na verdade é algo mais amplo) tem mais importância do que a habilidade técnica e as qualificações acadêmicas no portfólio de atributos do designer. Não consigo pensar em adágio melhor para o designer. Sem esquadrinhar, escrutinar e absorver constantemente o que está acontecendo em torno de si, você não pode se tornar um designer de sucesso. Compreendi isso alguns anos atrás, em um seminário de design. Depois de apresentações por vários designers britânico, houve uma animada sessão de perguntas e respostas. Alguém na audiência me perguntou se eu gostaria de trabalhar para clientes. Eu disse sim sobretudo por questão de polidez, mas também porque pensei que era a resposta que a audiência esperava ouvir. Depois, pensei a respeito: eu estava enganando a mim mesmo: meu conhecimento da história e dos costumes era insignificante, para dizer o mínimo, e, ainda assim, lá estava eu me atrevendo a pensar que conseguiria criar design significativo. Mais a maior lição de todas foi dar-me conta d que passara a hora anterior demonstrando ao público como os trabalhos de design de minha empresa estavam carregados de sutis alusões culturais, coisas que você tem de ser culturalmente perspicaz para perceber.
Como eu poderia conseguir a mesma coisa sem estudo, pesquisa e conhecimento da cultura?

A consciência cultural é vital para o designer moderno, e a maior parte dos designers são pessoas culturalmente conscientes. É por isso que os designers com frequência são espirituosos, com sofisticado senso de humor (não deveríamos nos surpreender com isso: os designers são observadores,e o melhor humor vem da observação microscópica). Veja o desenho gráfico da capa de DVD mas sua engenhosa apropriação da silhueta do “pequeno homem vende” do sinal de trânsito para andar para capa de um DVD de uma banda de rock é inesperada e divertida. Todo mundo conhece esse símbolo. De fato, é tão familiar que mal o notamos. Ainda assim, é necessário o espírito astucioso de um designer gráfico para extraí-lo do ambiente banal e colocá-lo nessa posição improvável. Espirituoso, você pode dizer.

Li uma vez que os arrombadores de cofres lixam a ponta dos dedos para aumentar a sensibilidade tátil. Isso torna seus dedos ultrassensíveis e os capacita a sentir as nuanças das engrenagens do mecanismo da fechadura, conforme rodam o disco à procura da mágica combinação que abrirá o cofre. Acontece o mesmo com o design gráfico: quando mais sensível você se tornar em relação ao mundo que o circunda, melhor funcionará. Isso significa estudar design em todas as suas manifestações contemporâneas, assim como a história do design e as artes visuais em geral. Mais também significa estudar o mundo além do design gráfico. Os designers, algumas vezes, imaginam que o mundo gira em torno do design gráfico e, quando você trabalha catorze horas por dia, é difícil lembrar-se de que não é assim. Mas os melhores designers têm um saudável interesse pela vida pra além de sua matéria: o design pode constituir seu principal envolvimento, e pode fornecer-lhes uma carreira absorvente e estimulante, mais não eclipsa outros interesses.

Sei que você está pensando: “OK, mas como é que isso ajuda a me tornar um designer melhor e fazer com que meu trabalho seja aceito?”. Aqui está: a coisa mais importante que você pode fazer quando estiver discutindo um trabalho com um cliente novo ou potencial e demonstrar compreensão, abertura e receptividade. O designer que demonstra apenas sinais de auto absorção e estreitamente de foco não vai inspirar o cliente. Pode parecer óbvio, mas é surpreendente como muitos designers usam reuniões com clientes para falar de si e de seu trabalho. Muitas vezes, são esses mesmos que reclamam que seus trabalhos são rejeitados com frequência ou que nunca lhes permitem “fazer o que querem”. Não surpreende. Eles são culpados do pior crime que um designer gráfico pode cometer: revelam-se auto-centrados e possuidores de uma perspectiva estreita. Para o designer ambicioso, isso é fatal.

Se você puder demonstrar algum conhecimento sobre o campo de atividade do cliente, se puder falar sobre o projeto à mão e se puder ouvi me lugar de tagarelar a seu próprio, ficará espantando de ver como seu novo cliente se tornará receptivo a você e às suas ideias. É um enorme paradoxo, mas, quanto menos você fizer o relacionamento cliente designer girar em torno de si, mais se inclinará a seu favor. Tente, vai funcionar.

É claro que nem sempre é suficiente contar com o conhecimento. Você precisa apoiá-lo com pesquisas específicas. Uma vez fui a uma reunião de uma galeria e arte que estava procurando uma nova empresa de design. Arrogante, não fiz nenhuma pesquisa. Contava com uma frágil noção de quem eu achava que era meu potencial cliente. Na verdade, eu confundira a galeria com uma outra. Quando meu erro foi percebido, recebi uma resposta gélida e, nem é preciso dizer, não conseguir coisa alguma.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *